segunda-feira, 6 de julho de 2015
Texto no Cabide: Katiuska
Dia 02, meio de semana e ela arrumou-se como quem estivesse indo para um encontro amoroso. Na bolsa do lado esquerdo um desses acessórios que também serve como chaveiro de bolso. De um lado para o outro da casa ela ensaiava uma frase: "Embora tentasse não conseguiria te esquecer". Era tímida, travava em qualquer tentativa de argumentar amores. Certamente esqueceria da frase ensaiada no primeiro gesto direcionado a ele.
Às 20 horas katiuska recebe uma ligação avisando que ele não poderia ir mais, já que sairia tarde do trabalho. Antes que ele terminasse de justificar ela disse de forma acalentadora: "Tudo bem".
Na frente do espelho registrou a foto do look para as redes sociais. Trocou a roupa, colocou o pijama e dormiu do lado contrário da cama, como sempre fazia todas as vezes que sentia que estava disposta a mudar.
Às 20 horas katiuska recebe uma ligação avisando que ele não poderia ir mais, já que sairia tarde do trabalho. Antes que ele terminasse de justificar ela disse de forma acalentadora: "Tudo bem".
Na frente do espelho registrou a foto do look para as redes sociais. Trocou a roupa, colocou o pijama e dormiu do lado contrário da cama, como sempre fazia todas as vezes que sentia que estava disposta a mudar.
sábado, 20 de junho de 2015
Texto no cabide: Pensamento de irmã
Ele fingia muito bem a simpatia. Por vezes até me ofereceu um café feito na hora. Conversou, desconversou como se nada tivesse sido desagradável entre nós. Fiquei por horas olhando para o nada através da janela, esperando a hora em que a conversa tomaria o rumo que eu desejava. Dessa vez eu estava decidida trilhar novos caminhos e deixar de lado os apegos que até ali só me fizeram envelhecer sem tanto perigo. Não queria me arrepender depois de ter me submetido tanto ao cinismo. Tenho 20 anos, agora em dezembro faço 21. Já é hora de desatar os nós da sandália e caminhar de pés no chão pela areia da praia.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
437
Vivenciei essa casa durante um bom tempo. Lembro de pelo menos quatro famílias que passaram por ela. Com todas famílias que moraram nessa casa, tive um vínculo afetivo muito forte, exceto a segunda. As quatro famílias que lembro tinha algo em comum: um pai alcoólatra, uma mãe que lutava pelo sustento da casa, e crianças que almejavam uma vida melhor.
terça-feira, 17 de março de 2015
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Texto no cabide: Nu
Desarmado no canto da parede agora reinicio o silêncio.
Posso ouvir a gota d'água que sai do chuveiro. Ouço a energia dos eletrodomésticos das casas vizinhas.
Percebo nas mãos o vazio deixado por o que ali existiu.
Me encolho, me silencio. É o que resta, é o que tem de melhor pra fazer em dias de insônia.
Posso ouvir a gota d'água que sai do chuveiro. Ouço a energia dos eletrodomésticos das casas vizinhas.
Percebo nas mãos o vazio deixado por o que ali existiu.
Me encolho, me silencio. É o que resta, é o que tem de melhor pra fazer em dias de insônia.
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| Obra de Francis Bacon |
domingo, 28 de dezembro de 2014
Texto no cabide: Borboleta e vôo
De cá percebi a borboleta presa na palheta que limpa o para-brisa do carro. A primeira dúvida que surge: Estaria ela morta? De certo estava. Se estivesse viva recorreria ao bater das asas para tentar desprender-se.
Comentei sobre a borboleta presa, falei da cor amarela dela, especulei sua morte. O motorista riu.
Não sei ao certo o que me incomodava naquela imagem. Refletia sobre o vôo.
No dia anterior eu havia escrito um verso sobre o “vôo livre”, comparava ao amor, talvez caberia perfeitamente enquanto metáfora. Novamente ao olhar a imagem da borboleta morta, presa naquela palheta que a capturara em movimento repentino, percebo a força desta metáfora em relação ao amor. Não contrario o pensamento de que o vôo é livre assim como o amor, considero adicional a isso que o vôo é incerto, às vezes trágico, assim como o amor.
Comentei sobre a borboleta presa, falei da cor amarela dela, especulei sua morte. O motorista riu.
Não sei ao certo o que me incomodava naquela imagem. Refletia sobre o vôo.
No dia anterior eu havia escrito um verso sobre o “vôo livre”, comparava ao amor, talvez caberia perfeitamente enquanto metáfora. Novamente ao olhar a imagem da borboleta morta, presa naquela palheta que a capturara em movimento repentino, percebo a força desta metáfora em relação ao amor. Não contrario o pensamento de que o vôo é livre assim como o amor, considero adicional a isso que o vôo é incerto, às vezes trágico, assim como o amor.
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