quarta-feira, 29 de outubro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Anúncios
Autor:
Lucas Alves
Talvez
uma característica física, um jeito peculiar de movimentar os braços, uma forma
de gesticular com as mãos. Muita coisa pode servir para chamar atenção. Nem
sempre dá para conhecer essas pessoas, saber o nome ou a rua onde moram, no
entanto elas permanecem na memória, e estas memórias tão vivas são aqui
expostas em anúncios, neste exercício híbrido de desenho e texto.
Reconhecer
no outro o que também faz parte do “eu” é de igual maneira umas das ações que
se faz nesse exercício de revisitação da memória, na busca por um entendimento
do “eu” que parte de uma relação com as diferentes pessoas.
O anúncio
aqui se apresenta como um registro de impressões provocadas por essa
visualização do outro que de alguma forma nos persegue em memória. Nesses
anúncios, apenas procura-se pessoas, sem definir uma finalidade concreta para
elas. O questionamento surge: Estariam perdidas? As especulações então são as
principais provocações nessa tentativa de reconhecimento do outro.
Propõe-se
então no processo que as pessoas também intervenham criando anúncios partindo
desse mesmo pensamento.
Dicas para criação de anúncio:
·
Relembre uma pessoa que tenha chamado sua atenção
·
Desenhe como você a viu
·
Elabore um texto descrevendo as características da
pessoa, situando o lugar que estava quando a avistou
·
Una o desenho e o texto
·
Tire xerox e distribua por aí
A primeira intervenção ocorreu em um evento de
estudantes na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, no dia 22 de outubro
de 2014, no período da tarde. Os artistas Lucas Alves, Geisa Lima e Jéssica
Oliveira distribuíram os anúncios - que eram reproduções xerocadas - enquanto
as pessoas circulavam pelo espaço da Universidade.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Texto no cabide: Reza
E ela rezou mais naquele dia, embora soubesse que não tinha motivos para isso.
Na mão um terço. No canto do olho uma lágrima.
Parecia bêbada. Estava bêbada. Quem às três da manhã rezaria tanto?
A tramela, a bacia e a flor de plástico vermelha eram testemunhas de tamanha embriaguez.
- Vovó Antônia dormiu ajoelhada.
Disse a neta quando o dia amanheceu.
Os dias sempre amanheciam assim de joelhos cinzentos e rosto marcado pela textura do lençol.
- Por que reza tanto Antônia?
Essa pergunta já cansava os ouvidos.
Ela não respondia, resmungava, passava a mão nos cabelos e ia dar milho as galinhas.
Nunca quis responder. Nunca sequer deu pistas quanto ao que queria alcançar com as rezas. Se insistiam demais no assunto, descansava o cachimbo do lado esquerdo e fingia surdez, dessas que a idade avançada permite, para poupar maiores chateações.
![]() |
Gustav Klimt - As três idades da mulher, 1905 |
Assinar:
Postagens (Atom)